quarta-feira, 6 de abril de 2016

Ampliando a Consciência sobre o Equacionamento do Déficit - 1

Ampliando a Consciência sobre o Equacionamento do Déficit - 1

Prezados Participantes do Postalis,

Infelizmente, a hora chegou.

Apesar dos diversos esforços que foram empreendidos no último ano, com vistas a reduzir, o máximo possível, o percentual a ser descontado dos nossos rendimentos para cobrir o déficit do Plano BD do Postalis, um novo plano de equacionamento acaba de ser aprovado e deveremos, a partir da folha do próximo mês de maio, arcar com uma contribuição extraordinária equivalente a 17,92% do nosso benefício.

E é absolutamente legítimo que estejamos todos indignados com isso. Mas a questão é: o que fazer? 

Muitos participantes têm nos feito essa indagação. E na maioria das vezes a questão concreta que apresentam é: Devo ou não devo me desligar do Plano? 

É natural que esta seja a pergunta mais frequente, inclusive porque ela é a única providência que depende, única e exclusivamente, de um ato de vontade do participante, além de ser, também, a única que pode, neste momento, modificar a situação projetada. E aqui estamos nos referindo aos participantes da ativa, uma vez que os aposentados, feliz ou infelizmente, não possuem tal dilema.

Mas voltando a pergunta, não podemos mais negar que tudo o que fizemos para que tivéssemos um mínimo de certeza e tranquilidade no presente e no futuro, se transformou numa grande e incerta aposta. Se nos desligarmos do Plano BD e o mesmo for para o buraco de vez, teremos, apesar dos pesares, tomado uma ótima decisão. Por outro lado, se nos desligarmos do plano e ele se recuperar, teremos tomado uma péssima decisão.

É uma decisão difícil e que cada um deve tomar com consciência e responsabilidade. Da nossa parte, ainda estamos prefirindo continuar. 

Em primeiro lugar, porque, apesar de ainda estar em difícil situação, de um tempo pra cá o Postalis vem dando mostras de uma gestão mais responsável dos seus (nossos) recursos. No que tange à aquisição de Títulos Públicos Federais, por exemplo, o Plano BD que, em outubro de 2013, possuía menos de 2% (R$ 117 milhões) dos seu patrimônio investido neste segmento, chega neste início de ano 2016 a um patamar próximo a 20% (R$ 1 bilhão). Da mesma forma, as aplicações em Títulos Públicos do Postalprev cresceram no mesmo período de R$ 87 milhões para R$ 2 bilhões. 

Ainda existem investimento que podem "micar"? Sim... infelizmente, ainda existem. Neste grupo, podemos destacar os investimentos no grupo Canabrava e no projeto da Nova Bolsa, além de uma série de investimentos em ações que, pela própria situação do país, estão sob sério risco de prejuízos. Por outro lado, também existem possibilidades de recuperação de créditos, seja pela via negocial (RTSA, acordo com o BNY Mellon e Leilão de "ativos podres"), seja pela via judicial.

Mas a razão principal que nos leva a ainda permanecer no Plano BD do Postalis é o imenso prejuízo que é realizado no momento em que nos desligamos do mesmo. Tomando por base o nosso caso particular, a reserva de poupança equivale a menos de três anos de recebimento do benefício saldado. O que significa dizer que, considerando a expectativa de vida média para os brasileiros da nossa faixa etária, podemos estar abrindo mão de mais de 80% daquilo que teríamos direito de receber em caso de permanência no plano e, é claro, na hipótese de que suas finanças se equilibrem.

Não é por outra razão que, quanto mais participantes se desligarem, melhor ficam as finanças do Postalis, uma vez que o passivo relativo a cada participante é muito maior do que sua reserva de poupança.

Assim, recomendo a cada um, antes de tomar qualquer decisão definitiva, que faça um exercício matemático simples, dividindo sua reserva de poupança do Plano BD, pelo seu benefício proporcional saldado. Depois, compare quantos meses de benefício sua reserva de poupança representa com sua própria expectativa de longevidade. 

Se, por um lado, não temos qualquer garantia de que a situação do Postalis realmente vai se reverter, o certo é que o desligamento do plano nos faz realizar, de forma irreversível, um prejuízo muito maior do que o ocasionado por todos os desmandos já ocorridos no Postalis. 

Infelizmente, estamos sendo obrigados a jogar o nosso futuro e o de nossas famílias em uma bolsa apostas, sem alternativas que podem ser consideradas "favoritas". E não temos a opção de não apostar, seja permanecendo ou desistindo do Postalis. Mas mesmo as apostas precisam ser feitas com um mínimo de consciência e senso de responsabilidade. E é essa reflexão que estamos propondo aqui. 

Em breve, estaremos fazendo outras publicações com vistas a ampliar o conhecimento e a consciência dos participantes em relação a este assunto que, sem dúvida, nos revolta... mas, por mais legítimo que seja este sentimento, ele não nos isenta da responsabilidade sobre nossas decisões, seja ela a de desistir ou a de continuar lutando.

Da nossa parte, a luta continua!!!

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