quarta-feira, 29 de junho de 2016

A ingerência política venceu mais uma vez

O conselho deliberativo, em uma reunião extraordinária realizada sem a presença dos representantes dos participantes, aprovou a destituição do atual Presidente e do Diretor de Investimentos do Postalis, os quais, diga-se de passagem, vinham até então desenvolvendo, talvez pela primeira vez na história do instituto, uma gestão séria e transparente seja na esfera administrativa, seja, principalmente, no campo dos investimentos do fundo.
A forma como se deu a decisão, ao arrepio da ética e do respeito à representatividade dos participantes e assistidos, é um claro e péssimo sinal dos interesses que estão por trás da medida.
Louve-se aqui a atuação do Conselheiro Sérgio Bleasby que, em face das gritantes inconsistências da proposta, pediu vistas, ontem, do relatório que tinha por objeto a indicação dos novos membros da diretoria. E foi impossibilitado de fazer o mesmo em relação à deliberação de hoje, pelo fato de a reunião ter sido convocada sem qualquer antecedência que possibilitasse o seu deslocamento até Brasília.
Lamente-se aqui a conduta dos conselheiros Areovaldo de Figueiredo, Máximo Villar Jr. e Manoel Cantoara, representantes da ECT, que viabilizaram a realização de uma reunião questionável sob todos os aspectos e que afunda ainda mais na lama do descrédito a imagem do Postalis, justo no momento em que os participantes e aposentados estão em vias de sentir no bolso a consequência concreta da ingerência política e da gestão temerária e fraudulenta do patrimônio do fundo.
Lamente-se também o absoluto silêncio das entidades representativas em todo este processo, entre as quais destacamos com pesar a ADCAP e a FENTECT.
O Conselho Fiscal emitiu duas atas denunciando as irregularidades no processo, atas estas que foram encaminhadas à PREVIC, órgão governamental que detém a responsabilidade de fiscalizar as entidades fechadas de previdência complementar e de quem ainda aguardamos um posicionamento sobre tudo o que ocorreu e está ocorrendo.
Mais uma vez, políticos que nunca contribuíram com um centavo para as reservas do fundo se acharam no direito de ditar o destino da poupança acumulada pelos ecetistas. Mais uma vez, constata-se que o que Michel Temer fala não se escreve.
Vida que segue...
Continuaremos fiscalizando, denunciando e empentelhando... todos eles!
Atenciosamente,
Angelo Saraiva Donga
Conselheiro Fiscal

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários serão previamente moderados, para publicação e resposta posterior.